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Data: abril, 2019Imprimir
Entrevista do senador Otto Alencar ao Blog do jornalista Josias de Souza, em 5/4/2019
Sob atmosfera de desconfiança mútua, Jair Bolsonaro iniciou um ciclo de reuniões com partidos políticos. Nesta quinta-feira, recebeu dirigentes de seis legendas que sempre menosprezou. O presidente faz por pressão o que deixou de fazer por opção há três meses. Tenta compor algo que se pareça com um bloco de apoio no Congresso. Por ora, não obteve o apoio formal de nenhuma agremiação. Um dos políticos recebidos por Bolsonaro, o líder do PSD no Senado, Otto Alencar (BA), foi especialmente franco com o anfitrião.

“Não faz sentido discutir a essa altura se fulano é de esquerda ou de direita, se o que houve em 1964 foi golpe ou revolução”, disse Otto Alencar a Jair Bolsonaro. O senador foi ao ponto: “O debate ideológico não interessa a quem procura emprego. Ideologia não resolve problemas como o desemprego.” Ex-apoiador de Dilma Rousseff e opositor de Michel Temer, o baiano Otto diz que manterá posição de independência em relação à gestão de Bolsonaro. Mas deseja ajudar.

blog entrevistou o senador sobre sua passagem pelo Palácio do Planalto. Vai abaixo a conversa:

— Como foi o encontro com o presidente Bolsonaro?
Estive com ele junto com a delegação do meu partido. Quando me coube falar, procurei ser franco com o presidente. Disse a ele que é preciso diminuir essa beligerância entre o Planalto e o Congresso. Não faz sentido discutir a essa altura se fulano é de esquerda ou de direita, se o que houve em 1964 foi golpe ou revolução. O debate ideológico não interessa a quem procura emprego. Ideologia não resolve problemas como o desemprego. Temos que tratar é do desemprego, não de ideologia. Observei ao presidente que está na hora de pegar matérias que tramitam no Congresso e interessam muito ao Brasil. É preciso trabalhar e aprovar.

— Chegou a mencionar os projetos?
Citei quatro matérias: a cessão onerosa [do pré-sal], o novo marco regulatório do setor elétrico [que abre caminho para a privatização da Eletrobras], a lei geral das telecomunicações [que pode impulsionar investimentos em banda larga de internet] e o problema da Lei Kandir. Sobre isso, pedi a atenção também do ministro Onyx [Lorenzoni, da Casa Civil], que estava presente. Sugeri que a gente faça um encontro de contas entre Estados e União. Os Estados devem à União e têm dinheiro a receber por conta da Lei Kandir.

— E quanto à reforma da Previdência?
Colocamos para o presidente a posição da maioria do PSD. Achamos que o sistema de capitalização não pode avançar se não tiver um piso salarial e uma contribuição patronal. E precisamos eliminar dois pontos da emenda da Previdência: não é razoável piorar a situação de idosos que recebem benefício assistencial, o BPC. Do mesmo modo, não é concebível prejudicar a aposentadoria rural.

— O presidente concordou com a retirada desses dois pontos?
Ele parece concordar com a retirada do BPC e da aposentadoria rural. Mas certamente está deixando para negociar mais adiante. Não pode simplesmente retirar, porque desautorizaria o ministro Paulo Guedes [Economia]. Isso é gordura para tirar durante a negociação.

— Com esses ajustes a reforma da Previdência será aprovada?
 Não tenho elementos para avaliar a posição da Câmara. Mas no Senado tenho certeza que passa com tranquilidade.

— Acha que Bolsonaro levará em conta suas observações sobre a inconveniência da beligerância e a inutilidade da ideologização do debate?
Espero que sim. Até porque acho mesmo que é uma bobagem ficar discutindo quem é de esquerda ou de direita, se foi golpe de 64 ou revolução, numa hora que temos tantos problemas reais para resolver. Isso não leva a lugar nenhum. O governante precisa harmonizar o ambiente. Eu contei ao presidente que, quando fui vice-governador da Bahia, mantinha uma frase em meu gabinete. Dizia o seguinte: ‘Não tenho o pão que alimenta, mas tenho a palavra que conforta’.”

— O que disse o presidente?
Ele riu muito. Perguntou se podia usar a frase. Eu respondi que sim, claro, pode usar. Mas eu era um mero vice-goveranador. Sabe como é, vice não tem o pão. Mas lembrei a ele que, como presidente da República, ele tem o pão, pois está com a caneta na mão. Falamos um pouco também sobre a conjuntura econômica.

— Conjuntura difícil, não?
Disse ao presidente que apoiei a Dilma em 2014. Deixei claro que não votei nele em 2018. E lembrei que o Michel Temer recebeu o governo da Dilma bem pior do que ele, Bolsonaro, recebeu do Temer. Depois do impeachment, Temer pegou o governo com um recuo dramático do PIB. O dólar e a inflação subiam, a bolsa e os investimentos caíam. Fiz oposição ao Temer. Mas ele, com todos os percalços, entregou o país com um crescimento pequeno da economia, inflação controlada e juros bem mais baixos. Então, disse eu ao presidente, o senhor recebeu o país bem melhor. As condições agora são mais favoráveis para o senhor acertar o passo do que na época do Temer. É preciso aproveitar as oportunidades.

— Saiu do encontro mais otimista?
O que posso dizer é que saí da conversa com a mesma vontade de ajudar para que as coisas melhorem. Achei que a melhor contribuição que poderia dar ao presidente era falar francamente. Fui oposição ao Temer, vou me colocar em posição de independência frente ao governo Bolsonaro. Não quero cargos. Não tive com Dilma, que apoiei. Não seria agora que iria reivindicar. Quero colaborar de todas as formas que eu puder, porque entendo que o Brasil não aguenta mais quatro anos de desacertos. Noto que há no Senado uma enorme disposição para colaborar.

Fonte: https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2019/04/05/ideologia-nao-resolve-problemas-como-desemprego-diz-senador-a-bolsonaro/

 

 

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